Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

você bate no seu pc?!

 
O animismo faz-nos atribuir propriedades sobrenaturais aos animais – até mesmo propriedades humanas – mas também o fazemos com objectos materiais tais como os computadores. Sim, esses malvados que sabem exactamente quando é que vamos carregar no botão “guardar” e agilmente, um micro segundo antes, decidem crachar. Porém, não é de estranhar, pois os computadores foram criados por génios e depois lançados a idiotas como nós para nos fazer entrar em parafuso. O homem pós-paleolítico, com a sua ciência animista, limita-se a fazer uma dança tipo ritual à volta da criação do génio que acabou de entrar em colapso sem razão aparente. Uma dança com cânticos guerreiros tentando invocar alguma espécie de intervenção divina: “ – O quê!? Como é que foste capaz de me fazer isto?! Puta que te pariu! " Praguejar nem sempre funciona, sobretudo em questões de fé, mas no que toca a objectos, como os computadores, estes portam-se melhor quando lhes praguejamos. Sobretudo quando acrescentamos às nossas pragas uns tantos tabefes ou simples pancadas secas na estrutura do nosso PC. É desconhecida a psicologia do praguejar, embora diga-se ser uma forma de aliviar a tensão entre nós e os objectos que não nos respondem. Há que mostrar quem manda!
 
Não deixa de ser estranho que quanto mais alto praguejamos, mais depressa os objectos cedem. Assim como um espirro alivia o canal nasal, um insulto varre o córtex e deixa a mente mais capaz de lidar com os problemas entre nós e as tais máquinas. No entanto, se tivermos um ataque de fúria e pontapearmos o nosso computador como se não houvesse amanhã, não adianta praguejar pois as peças soltas ou danificadas não voltam ao sítio: pois isso seria cairmos no animismo fácil. O que nos poderia levar a acreditar em crenças pouco fidedignas sobre todo o tipo de coisas que nos rodeia. Ou seja, praguejar tem regras e não serve qualquer impropério, assim como dar pancada não pode ser levado à bruta mas sim com jeitinho. Todavia, antes de praguejar, bater e fazer trinta por uma linha aos seus objectos eléctricos ou mecânicos, nunca deixe que os mesmos se apercebam até que ponto tem pressa. Não é que os objectos se virem contra si ou que o firam, nem tão-pouco têm sentimentos. Porém, são caprichosos e demonstram-nos o quanto somos cobardes. Mais depressa descarregamos a fúria dando porrada aos nossos cônjuges, filhos e animais, do que o fazemos com os nossos objectos predilectos. Somos mais condescendentes quando nos sentimos impotentes (!)
 
Um abraço...
shakermaker

 

para ver: The Matrix » Fishburne/CA Moss
para ouvir: Electioneering por Radiohead em OK Computer (1997)
blogjob por shakermaker às 00:00

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De pitecos a 14 de Dezembro de 2009 às 18:18
Uma vez por outra arreava um valentes pontapés no meu velho Mac, mas, agora o meu novo Mc já não tem cu...
Abraço do Zé e boas ... boas coisas!...
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