Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

bad, really bad!

 

Num dia destes, recebi um convite que me deixou boquiaberto: um conhecido convidou-me para jogar Badminton. Além do inevitável “fosga-se” que soltei nesse instante, fiquei bastante desconfiado com tão despropositado convite. – Tu queres ver que este fulano afinal é assim para o rabeta?! Atenção: não é que eu seja homofóbico, que não o sou de todo, mas confesso que naquele momento o meu, digamos assim, disjuntor contra convites duvidosos de cariz sexual, prontamente disparou. – Mas porquê Badminton? Questionei. Ainda se fosse Ténis, não só nem acharia o convite assim tão estranho, como talvez ponderasse aceitar. Agora, Badminton? Mas porque carga de água, alguém me convidou para participar num jogo tão ignóbil, para não dizer mesmo estúpido, se há tantos outros jogos bem mais interessantes e porventura mais másculos para se jogar? De facto, não tenho quaisquer razões para duvidar ou sequer criticar as opções sexuais desse meu conhecido, não só por ele ser casado mas porque me parece, pois não posso afirmá-lo com toda a certeza (ainda o tal convite), que ele gosta de mulheres. A minha resposta foi deveras machista: - Ouve lá, isso não é jogo de gajas? Ele ripostou dizendo que já não é. Ah-Ah, bem me parecia! Já não é mas já o foi! Entretanto, ele contou-me uma breve história sobre o Badminton: as suas origens, onde era realmente jogado por mulheres em finais do século XIX nos palácios da corte anglo-saxónica e que o nome original do jogo era “Battledores And Shuttlecocks”. Cá está, mais um indício de que este jogo é muito pouco másculo. Além disso, o Badminton é jogado num campo que se assemelha a um campo de Ténis mas cuja rede está ao nível dum campo de Voleibol. Ora, depreendo que os primeiros (ou primeiras, como se constou) praticantes deste desporto não tinham jeito nenhum para jogar Ténis nem Voleibol. Ou, por outro lado, sendo mulheres ou homens pouco másculos, eram proibidos pelos nobres de participar nesses mesmos desportos. – Vá, desamparem-nos o campo, peguem lá nessas vossas amostras de raquetes e nessa vossa peninha, e vão ali para aquele canto jogar. Pareciam querer dizer aos praticantes de Badminton. Vejamos, em vez duma raquete robusta feita de carbono, no Badminton a raquete chama-se, afinal, raqueta, e é feita de fibra para ser mais leve de manejar. Na verdade, mais parece uma rede para apanhar borboletas: e todos sabemos que nome se dá a quem anda à caça de borboletas… Pois. Ainda: a pena, como vulgarmente lhe chamamos, dá pelo nome de volante. Porém, há quem lhe chame também peteca! Isto não parece querer melhorar em nada, digo eu. O volante é concebido com penas, verdadeiras, de ganso. Dezasseis, para ser mais preciso. Agora, adivinhem de que parte do ganso retiram as penas? Pois é, eu bem disse que isto não tem melhoras. Portanto, se virem um ganso sem penas no rabo, sendo que essas mesmas penas estão agora espetadas numa peteca, então está tudo explicado. Brincadeiras à parte, não estou somente a querer dizer que o Badminton é um jogo exclusivamente para mulheres, ou para homens duvidosos, só que esteticamente não me convence: lá isso não convence! Alguém já viu uma partida de Badminton? Então se for duma certa distância, garanto-vos que não é nada bonito de se ver. Apesar destas incongruências relativas ao jogo em si, há apenas uma coerência nisto tudo: em vez dos habituais “sets” duma partida de Ténis ou Voleibol, no Badminton existem “rallys”. E aqui é que está essa coerência de que falo, reparem na analogia: joga-se com um volante, logo relaciona-se com condução, que por sua vez se relaciona com rally. Lindo! Bom, por momentos, entusiasmei-me com o Badminton mas a minha relação com este jogo não vai para além de ridicularizar ao máximo esta modalidade. Como se fosse preciso, digo eu. Outro jogo que também abomino completamente é o Squash. Reparem: normalmente, é jogado por dois homens dentro duma sala minúscula atirando bolas contra uma parede e a suar compulsivamente. Acredito piamente que isto para as mulheres possa ser apelativo de se ver. Tudo bem, pode até ser, mas só de pensar em estar fechado numa sala com um homem a suar, apenas esse facto, causa-me suores repelentes. Malta, joguem antes à bola, pá! Badminton: só este nome diz tudo... Bad, really bad!

 

Um abraço...

shakermaker

 

para ver: Bad Lieutenant » Harvey Keitel
para ouvir: Bring It On Down por Oasis em Definitely Maybe (1994)
blogjob por shakermaker às 00:00

ISOLAR POST | RECOLHER POST
De pitecos a 2 de Fevereiro de 2008 às 00:09
Ora viva!
é bom ler quem sabe tão bem escrever. até rimei...

Abração do Zé
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