Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

o por acaso não faz um caso

 

É o mote de muitos romances policiais, filmes cómicos ou séries de suspense: o infortunado herói passa pela rua errada na altura errada, vê algo que não devia ver, e começam os aborrecimentos. Contrariamente às aparências, este princípio não é redutível ao precedente, pois a maioria das vezes não se agiu propositadamente. Além disso, se estivermos onde não devíamos estar é porque não estamos, de facto, onde devemos estar. Neste caso, trata-se mais de não agir quando algo nos diz respeito, do que meter o nariz onde não se é chamado. No caso dos homens comuns, a linha que separa uma atitude heróica dum grande infortúnio é deveras ténue. Dessa forma se faz a História.

 

O despertador que não toca, a chamada telefónica não atendida, o estar afastado, o chegar perto demais, a precipitação ao descer, a pressa de subir, o estar desatento, o não saber escutar por tanto se querer falar, o não ponderar antes de executar, o não perguntar por vergonha ou o sempre patente: não fazer caso. Todas estas situações são causas para as mesmas sequências falhadas. No entanto, é difícil pretender que sejam inteiramente involuntárias. Na realidade, estes actos falhados são o pão-nosso de cada dia do comum dos mortais. Todos estamos a um passo de sermos bestiais ou de nos tornarmos umas bestas. A vida faz-se de juízos: ora bons, ora muito maus.

 

Porém, alguns indivíduos alcançam com os seus falhanços um efeito perverso e que os torna, duma forma ou doutra, pessoas famosas. Lembrem-se do Martim Moniz que ficou conhecido por se ter entalado numa porta, no Castelo de São Jorge, evitando assim que os Mouros nos invadissem a fortaleza. Pois bem, agora é um dos heróis nacionais que mais prezamos. Outro exemplo: seria Andy Warhol um grande artista ou simplesmente um tipo que pintava fotocópias de fotografias com cores aguerridas?  Dizem que inventou a Pop Art... Para mim, o que importa é ser-se convencional onde não devemos e não o sermos onde devemos. Não julguemos aquilo que não vemos, só por acaso.

 

Um abraço...

shakermaker

 

para ver: Face In The Crowd » Elia Kazan
para ouvir: The Thin Ice por Pink Floyd em The Wall (1979)
blogjob por shakermaker às 00:00

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De Manefta a 20 de Setembro de 2007 às 15:29
Ora viva!!

Passou benzinho? Eu também.
Vou saltar a parte das piadas fáceis. Pronto já está. Ora os acasos né, tipo um telefonema no meio de coisa nenhuma, parecendo um acaso, vamos a ver e nem era.
Acho giríssimo e deveras gratificante para o espirito trocadilhos com casos e acasos. (Uma gaja não é de ferro)
Podíamos falar da lei das probabilidades, mas já não ando em fase de impressionar transeuntes e esta merda era para estar aqui a tarde toda.
Porque aquelas tretas do “se a minha avó não tivesse nascido” e “ai se tivesse feito sexo anal ele tinha ficado comigo” Concordo, contudo diz-me pouco. Há uma série de “ciências” que tentam explicar esta dinâmica do acaso. Porque é que um tipo a dar no demente com um cabelo por demais duvidoso, faz umas cópias com os tinteiros todos oxidados e ganha milhões? E quem canta as pombinhas da catrina aos arrotos não chega à ribalta? É daquelas merdas pã que ninguém entende.
Podemos também falar de gente estúpida. Bem sei que entrei a dizer que ah e tal piadas fáceis não, mas ou isso ou dou uma de intelectual e aterro aqui o resto da tarde. Cansa-me ser inteligente sabes? Bom, gente estúpida e probabilidades. É para já!
Primeiro é preciso realçar que subestimamos sempre o número de gente estúpida à face da terra. Depois é preciso encarar que a probabilidade de alguém ser estúpido é independente de outro qualquer defeito ou qualidade.
Nunca, mas nunca esquecer, após breve identificação de massa estúpida andante ou paraplégica, é como queiram que, dizia eu, que, uma pessoa estúpida é alguém que promete danos a outros, sem conseguir qualquer vantagem para si mesma e muitas vezes, com prejuízo próprio. Sendo assim, os não-estúpidos subestimam o poder de causar dano dos estúpidos. E, por isso, esquecem-se que a qualquer momento e sob qualquer circunstância, associarem-se a gente estúpida invariavelmente será aquele erro que demora anos a tirar o cheiro.
Posto isto quero terminar dizendo que não há maior pena que constatar estupidez em alguém e ainda que, a pessoa mais perigosa em todo o planeta é a estúpida.
Quando a mais perigosa e irritante é ....? Podem pedir uma vogal, ajuda do público? Pronto, a mãe já vai, a pessoa mais perigosa e irritante à face da terra é...não, não sou eu. É mesmo uma Mulher estúpida. Sim, uma gaja estúpida desgasta-me, envergonha-me, de modos que, meninas abram a pestana e disfarcem, nem que seja com muita palha, assim, como eu.

Bom, afinal até me estava a saber bem dar ao dedo, mas tenho que ir, o cabrão do maestro já chegou, só estou à espera dele desde as 9 da manhã. Vai na volta é estúpido, nunca se sabe onde andam, não é mesmo?!
Tenho dito.

Beijo


Manefta

p.s. Shaker, homem, não curto esta musica, é por demais...enfim...faz-me sentir velha, calma, e sensata, não gosto lol diria demasiado moura, para as vogais fechadas que me saiem boca fora.






De Insolente a 21 de Setembro de 2007 às 06:03
Não acredito a ponta em "destinos" e coisas do género, agora que o acaso dita muita coisa no decorrer de uma vida disso não tenho dúvidas. A sorte e o azar, merecidos ou não, procurados ou não, não têm necessariamente de ser confundidos com destino. Da mesma forma que aquilo que a ciencia não explica não é necessariamente milagre, é apenas algo que os nossos cérebros pequeninos ainda não alcançaram. Podemos procurar a sorte? Aproveitar as oportunidades? Sim, mas nada nos garante que estas não anularam outras melhores... É a intuição de cada um que dita as leis do progresso individual de cada individuo. Ora então um grande bem haja
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