Sexta-feira, 16 de Julho de 2010

mais (es)perto da estupidez

 

Tal como os balões, flutuamos pelo ar – cheios de esperanças e sonhos. Com o passar do tempo, e quando nada acontece como esperávamos, tornamo-nos cépticos e apreensivos. Aprendemos a esperar, assustados: com o que pode acontecer ou com aquilo que não acontece. Ficamos pendentes, por isso: não sejamos estúpidos! Como? Não tendo medo de ser estúpidos. A intermitência das possibilidades é o nosso maior flagelo porque o mundo está cheio de gente esperta à descoberta de não sei bem o quê para acertar em nada que se veja. A gente esperta faz todo o tipo de coisas espertas, o que – só por si – é uma grande esperteza. Os espertos são tipos certos que fazem coisas certas, do tipo espertas. Os outros? Os outros são estúpidos. A estupidez marca a diferença entre aqueles que fazem de forma diferente aquilo que toda a gente faz igual. É como uma filosofia de vida mas sem a parte de pensar muito no assunto. Simplificando, digamos que é ser diferente. Estupidamente diferente. Diz-se que os espertos têm mais “miolos” mas os estúpidos têm muito mais “tomates”. Os espertos reconhecem as coisas como elas são, enquanto os estúpidos vêm as coisas como elas deviam ser. Os espertos criticam o que os estúpidos desafiam, mas os estúpidos criam o que os espertos copiam. A verdade é que se não tivéssemos pensamentos estúpidos não teríamos ideias parvas. Mas seriam essas ideias assim tão parvas que não valesse a pena tentá-las? Não, porque seria pouco esperto não ter sequer ideias nenhumas, ainda que estúpidas. Os espertos engendram planos ao pormenor: têm o plano A e até o plano B. Os estúpidos não planeiam nada mas assumem o risco A, o risco B e todos os riscos que sejam necessários para executar o plano que não têm. Os espertos jogam pelo seguro pois têm medo de falhar (!)

 

Os estúpidos sabem perfeitamente que os seus falhanços são fruto da sua estupidez e não da sua esperteza pois mais estúpido seria falhar sem sequer tentar acertar. É impossível determinar que uma pessoa é estúpida só porque comete actos estúpidos pois só alguém muito estúpido é que cometeria tal estupidez. Ou seja, os espertos são todos aqueles que não se acham estúpidos e que têm pelos estúpidos a mesma compaixão que se tem por alguém que não é suficientemente esperto para perceber que afinal é mesmo estúpido. As pessoas espertas falam de tudo, enquanto os estúpidos nunca sabem de nada quando se quer falar de tudo. Mas para os espertos, falar dum assunto de cada vez é uma grande estupidez. Há quem diga que a esperteza é mais operacional e que a inteligência é mais estratégica. Mas afinal onde fica a estupidez? Precisamente no meio: naquela linha muito ténue que separa a razão de tudo o resto. Será razoável pensarmos que é melhor ser esperto do que estúpido porque aparentemente é uma escolha inteligente? Talvez. Mas será a escolha mais acertada? Não. O avolumar da estupidez acumulada num só indivíduo é conditio sine qua non para que se torne naturalmente estúpido. Mas esta afirmação é tão verdadeira como poderá encerrar em si outra grande estupidez. Vejamos: temos o estúpido natural (nasceu assim, coitado); o estúpido circunstancial (passou-se da cabeça, coitado); e ainda o estúpido conjuntural (foi sem querer, coitado). Todos nós, mais ou menos inteligentes, não somos suficientemente espertos para conseguir evitar sermos estúpidos (!)

 

Um abraço...

shakermaker 

 

para ver: Dumb & Dumber » Carrey/Daniels
para ouvir: Dumb por Nirvana em In Utero (1993)
blogjob por shakermaker às 00:00

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