Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

molhar as partes pudibundas

 

Parece que finalmente começou a época balnear, ou seja já podemos ir a banhos. Convenhamos que este termo “abriu a época balnear” é assim para o estúpido pois o termo tanto se refere a que podemos ir ao banho, por nossa livre vontade, como também podemos dar banho aos outros, caso estes nos deixem. Mas já nos é tão difícil convencer espalhar o bronzeador pelo corpo todo a uma gaja boa deitada na toalha da praia, quanto mais convencê-la a deixar-nos dar-lhe banho. E tudo isto são apenas preliminares! Recordo que quando era criança, os preliminares para começar a dita época balnear eram bem diferentes: o primeiro passo era ir obrigatoriamente ao médico colocar o adesivo. Nunca percebi muito bem para que servia esse adesivo que o médico de família nos colocava mesmo no meio das costas, embora perceba agora que aquilo fosse uma espécie de via verde para poder pôr os pés na areia e consequentemente molhar o rabo. Com o decorrer das muitas idas à praia, o raio do adesivo começava a descolar-se das costas até desaparecer, sei lá onde, mas isso também já não importava pois como já tinha uma certa tez na pele, isso era suficiente para alguém perceber que “este puto está autorizado a frequentar a praia”. Quanto mais não fosse pela marca rectangular com dois centímetros de diâmetro que tinha no meio das costas que fazia prova que já tinha usado um adesivo mesmo que ninguém soubesse para que raio servia realmente aquilo. Agora tudo é diferente, cada um vai à praia quando quer ou mergulha na piscina sempre que lhe apetece, pelo que esta coisa de ter começado a época balnear não passa apenas duma certa formalidade inócua.
 
Esta é aquela altura do ano em que, mais coisa menos coisa, quase toda a gente toma banho e anda minimamente lavada. Com mais sal ou menos sal ou com mais cloro ou menos cloro na pele, pode-se dizer que andamos mais limpos que no resto do ano. Porém, e apesar de nesta altura estarmos mais predispostos para tomarmos banho, temos alguma dificuldade em lidar com a temperatura na água. Ora, os centros de lazer – agora também conhecidos como SPAS – têm uma ou mais piscinas com diferentes temperaturas, embora o nosso corpo funcione confortavelmente com temperaturas entre os 20-24 graus. O nosso organismo tenta manter-nos na amplitude dessas temperaturas e sempre que fica muito quente os vasos capilares à superfície da pele ficam mais proeminentes, fazendo assim percorrer o sangue nas extremidades para nos ajudar a perder calor. Assim como a transpiração do nosso corpo começará por remover o calor através da evaporação, e se o calor continuar, ficaremos letárgicos, pois é dessa forma que o nosso corpo nos desencoraja a permanecermos inertes feitos lagartixas esturricadas ao sol. Assim que nos adaptamos a uma acolhedora piscina quente, já uma piscina fria parecer-nos-á congelada. E caso façamos esta experiência verificamos ainda que não só a nossa circulação sanguínea reduz drasticamente como a nossa transpiração pára bruscamente – e se não nos começarmos a  mexer energicamente para criarmos calor, desatamos a tremer que nem aquelas varas verdes num dia ventoso. Então, quando a temperatura voltar a subir, os nossos mecanismos homeopáticos estão prontos para relaxar, só que um regresso a uma piscina quente será como um choque térmico porque agora estará demasiado quente.
 
Na verdade, não temos um termómetro instalado no nosso corpo, contudo temos alguns sinais anatómicos que nos indicam se uma água está gelada ou escaldada. No caso das mulheres, nada mais nada menos que os mamilos são o seu termómetro corporal: quando a água está gelada, estes endurecem e ficam mais escuros. No caso dos homens, podemos considerar os testículos o seu termómetro corporal: quando a água está fria, estes encarquilham mas também ficam escuros – o que não deixa de ser curioso – mas não me perguntem porquê. Até porque eu não sei tudo mas o pouco que sei em mim constatei. Todavia, ambos os sexos reagem da mesma forma quando a água está quente: ficam relaxados e os seus órgãos genitais ficam com cor rosada. Ao estarem mergulhadas numa piscina de água quente, a temperatura do corpo das mulheres propicia-lhes uma maior desfaçatez para ter relações sexuais, no caso dos homens acontece exactamente o mesmo, embora com muito menos voracidade ou vontade. De facto, as mulheres tendem mais a masturbar-se quando tomam os seus longos banhos de imersão e não é por causa dos sais naturais ou das essências de mirtilo. Os homens nem por isso: preferem dar peidos debaixo de água e divertem-se quando as flatulências fazem bolhas. Porém, quando mergulhados numa piscina de água fria, os homens têm uma maior dificuldade em manter uma erecção. Aliás, não há nada melhor para esmorecer e desmotivar qualquer libido mais activo do que uma chuvarada de água gelada. Resumindo: para os nossos corpos, uma piscina quente está muito quente e uma piscina fria está muito fria. Ou ambas.
 
Assim sendo, podemos dizer que fomos feitos para entrar no mar quando este está frio e sair quando se torna agradável e quente. Ou seja, está tudo bem articulado se as temperaturas forem artificialmente controladas como num SPA. Mas lá fora, ao ar livre, em que tudo faz parte do mesmo ambiente, nada está à mesma temperatura. Se assim fosse, o mar seria tão quente como a areia porque, afinal de contas, o Sol está a brilhar de igual modo sobre os dois. A luz do Sol não aquece directamente o mar ou o ar: irradia luz através deles e aquece o solo, que depois aquece o ar e a água por condução. É claro que o Sol também acaba por aquecer a água, ligeiramente, à medida que incide nesta, mas isso acontece sobretudo à superfície e em águas mais "paradas". Já o solo aquece mais rapidamente o ar do que o mar e, por isso, ainda que sintamos mais calor ao Sol, devemos mesmo assim tardar em sair da água.  Afinal, sentimo-nos bem ao molhar as partes pudibundas! Daí, talvez haver mais gente interessada em ter sexo numa piscina do que em fazê-lo em pleno mar. Aliás, o melhor é mesmo consumar o amor numa piscina sem cobertura pela calada da noite. Além da água estar morna, há também mais probabilidades de vermos estrelas! Ora, o cerne da questão é que a definição dum espaço temporal para iniciar a época balnear em nada tem a ver com o fundamental: o tempo. O tempo que está, o tempo que faz. Isto é, o ideal seria tomarmos banho logo após o Sol se pôr,  pois nessa altura a temperatura do ar combina com a temperatura do mar. Só que,  por essa altura,  já serão horas de voltarmos para casa.  Pronto,  nem tudo é perfeito na época balnear mas pelo menos não temos mais que usar aquele maldito adesivo nas costas.
 
Um abraço...
shakermaker

 

 

para ver: Personal Effects » M. Pfeiffer
para ouvir: Moonlight Drive por The Doors em Strange Days (1967)
blogjob por shakermaker às 00:00

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