Domingo, 21 de Dezembro de 2008

um eco do prazer

 

Há quem diga e defenda que o orgasmo feminino apresenta-se como um dos maiores mistérios da humanidade. Da mesma forma, sabe-se que há mulheres que, misteriosamente, têm múltiplos orgasmos. Sim, essas mulheres existem, é certo, mas são raras. Aliás, são tão raras que pouco ou nada se sabe delas. É que ao contrário do que se julga, esses orgasmos múltiplos não dependem da competência dos machos nem tão pouco do fulgor das fêmeas. Digamos que as mulheres “multiorgasmicas” – chamemos-lhes assim – são como trevos de quatro folhas do amor. Serão dotadas duma misteriosa anatomia, ou serão sobredotadas que se contentam em explorar um talento vulgar mas ignorado pelas outras mulheres? Nalguns estudos científicos, verificou-se que o prazer produz um alongamento de um centímetro na parte anterior da vagina e uma ligeira subida do útero. Mas não surgiu nada contundente que explique a ressumação da vagina ou os benditos orgasmos múltiplos. Tal como ainda não há explicação para a “ejaculação feminina”. Neste caso, não é a parede vaginal que ressuma de repente mas o fluído que é expulso em jacto pela uretra. Durante muito tempo pensou-se em urina, mas não: alguns médicos identificaram nesse líquido certas substâncias, as “fosfatasses ácidas”, que não existem nem na urina da mulher nem no seu lubrificante natural vaginal. Ora, no homem, essa substância encontra-se no esperma, onde é segregada pela próstata. No entender de alguns sexólogos, essa ejaculação é produzida pela estimulação do famoso ponto G. Ao contrário do que se pensa, o ponto G não se situa no clítoris. Anda lá perto, porém ninguém sabe exactamente onde. Isto porque não existe uma prova física, ou anatómica, concreta. Na verdade, o ponto G é como um OVNI (Objecto Vaginal Não Identificado). Aliás, o próprio aparelho reprodutor feminino permanece como um dos maiores mistérios da humanidade pois são tantos os seus segredos – muitos deles ainda por desvendar – que se torna até algo frustrante sabermos mais sobre o subsolo de Marte do que sobre as profundezas duma mulher. O facto de ter sido necessário esperar que o Dr. Ernst Grafenberg descobrisse o ponto G, na década de cinquenta, e da Dra. Helen O`Connell ter revelado a anatomia do clítoris, apenas no final dos anos noventa, logo não causa estranheza por ainda não sabermos mais sobre o porquê dos orgasmos múltiplos. Até porque isso reflecte bastante bem o modo como a anatomia feminina tem vindo a ser encarada desde há muito: como uma espécie de homem mas em côncavo, cujo interesse anatómico se reduz à reprodução. Dir-se-á que é uma espécie de sexismo científico, só que deveríamos ir mais longe. Sim, é verdade, só que quanto mais soubermos sobre as mulheres mais difícil se poderá tornar conseguirmos satisfazê-las. Por isso, talvez seja melhor mantê-las mais algum tempo na ignorância. Ou seja, se uma mulher lhe disser que você consegue provocar-lhe múltiplos orgasmos, negue o ocorrido como se não houvesse amanhã! Sei lá, diga-lhe que são réplicas dum só orgasmo, um eco do prazer. Afinal, como conseguirá repetir o que ela está, muito provavelmente, a fingir?
 
Um abraço...
shakermaker

 

para ver: VickyCristinaBarcelona » Allen
para ouvir: Looking For Water por David Bowie em Reality (2003)
blogjob por shakermaker às 00:00

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