Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

cosmética sexual #01

 

Avidamente, as actrizes espalham o precioso líquido pelo seu corpo. É que na pornografia, nada se perde. Nem para a pele feminina nem mesmo para o seu substituto, a objectiva da câmara. Não é a vulgarização do filme porno – e, consequentemente, a ejaculação facial, como sua figura obrigatória – que irá contradizer o boato segundo o qual o esperma faz bem à pele. Contudo, este boato é muito anterior à era do vídeo. Seja como for, já era tempo de o submeter a uma análise científica. A priori, o esperma nada tem a ver com a pele: está sobretudo equipado para enfrentar o meio a que biblicamente se destina. Ou seja, a vagina. Para o efeito, contém substâncias que o protegem do ambiente ácido do canal, outras que criam a viscosidade necessária à sua manutenção, e outras ainda que camuflam quimicamente os espermatozóides para que não sejam vistos como agressores. Mas o esperma contém também dezenas de substâncias não forçosamente “úteis” e que só lá estão porque o corpo as produz. Por exemplo: cálcio, magnésio, sódio, vitamina C, zinco, açúcares e, até a mais estranha de todas as substâncias, a creatina. Ora, a creatina é umas das substâncias proibidas pelo comité olímpico internacional por ser considerada dopante. Todavia, o esperma não o produz em doses consideradas susceptíveis de poder dopar, pelo que é pouco provável que o Michael Phelps tenha sido chupado antes de bater os seus recordes mundiais e olímpicos de natação em Pequim. Mas é curioso que entre as mais de quatrocentas proteínas encontradas por alguns investigadores em análises ao esperma, até foi encontrado ouro! Quem diria? Porém, sob a forma de vestígios e não de pepitas, claro está. Por isso, os masturbadores compulsivos escusam de esgalhar o pessegueiro como se não houvesse amanhã. Calma (!)
 
Regressando ao busílis da questão, entre todas as substâncias existentes no esperma, não é impossível que algumas sejam úteis para a pele. O zinco, por exemplo: são conhecidas as suas virtudes anti-infecciosas, que o fazem intervir em produtos contra a acne. O esperma também contém frutose, conhecida por auxiliar a cicatrização. No entanto, o facto dessas substâncias serem benéficas para a pele, não significa que o esperma o seja na sua globalidade. Vejamos: quimicamente, o esperma é ligeiramente “básico” – ou, por outras palavras, aproxima-se mais de um desentupidor de canos do que o próprio vinagre – e por conseguinte pode até agredir a pele que é ligeiramente “ácida” e suporta mal o que se assemelha à soda. Por isso, alguns dermatologistas afirmam que, até à data, nenhum estudo científico demonstrou os benefícios do esperma para a pele. Porém, o essencial talvez não seja acreditar. É o que acontece com os pepinos: apesar do seu interesse não ter sido demonstrado, os adeptos continuam a usá-los para fazer máscaras. Só que os fabricantes de cremes de beleza bem o percebem, acrescentando a todos os seus produtos uma quantidade de substâncias sem nenhum interesse dermatológico, mas que despertam o imaginário do consumidor: algas, flores, raízes, entre outros, e os tão célebres pepinos. Mas quem será que teve esta ideia tão peregrina de que os pepinos fazem rejuvenescer a pele? Provavelmente, a mesma “alminha” que inventou que o esperma é um bom tónico cosmético contra o envelhecimento precoce da epiderme. Portanto, os actores porno irão continuar a ejacular para cima uns dos outros, sempre sob o prenúncio de que estão a fazer um tratamento dermatológico. Ao mesmo tempo, os pepinos continuarão a fazer parte dos mesmos tratamentos. Só não percebo uma coisa: porque raio é que, volta e meia, os pepinos entram pelos ânus dos actores porno adentro?! Continua (...)
 
Um abraço...
shakermaker
 
para ver: Mean Streets » deNiro/Scorsese
para ouvir: Cream por Prince em Diamonds And Pearls (1991)
blogjob por shakermaker às 00:00

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