Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

mistério do objecto invisível

 

Quando andamos à procura de alguma coisa, voltamos infinitas vezes ao mesmo sítio. Pois bem, há sempre uma dada altura nas nossas vidas em que dizemos: “ – Espero que ninguém me esteja a ver pois sinto-me um perfeito idiota”. Acabámos de procurar pela décima vez no mesmo sítio, o CD que precisamos, sabemos que não está lá, mas vamos voltar mais uma vez porque nunca se sabe. Mas não, não está lá, e por isso vamos ver só mais uma vez para ter a certeza absoluta. Porque é que continuamos a procurar no mesmo sítio, quando sabemos que o CD não está ali? Porque, à vigésima tentativa, lá está ele! O mistério do objecto invisível intriga-nos desde há séculos. Hoje em dia, alguns cientistas que estudam a teoria quântica têm-se perguntado se o objecto andará a escapar-se para um universo paralelo, onde permanece até que compremos o seu substituto. Há dois mil anos atrás – mais coisa menos coisa – Arquimedes deu uma resposta baseada na curiosa ciência do seu tempo. A sua teoria afirmava que a visão era um processo activo e não passivo. Ou seja, em vez de deixar entrar raios de luz no olho, a visão fazia-se deixando-os sair, como se fosse uma espécie de holofotes a explorar o território em redor. Se os raios de pesquisa fossem direccionados no caminho errado nunca conseguiriam encontrar o objecto. A verdadeira razão é agora, finalmente, conhecida: quando estamos à procura do tal CD não olhamos atentamente para tudo o que nos rodeia, vamos antes por atalhos. É um pouco como se fossemos com ela fisgada para a esquerda, só que o objecto encontra-se à nossa direita. Não só é invisível, como agora também nos finta?
 
Em suma, calcorreamos todo o córtex à procura da memória da imagem daquilo que estamos tentando encontrar, mas mantendo-a sempre na nossa mente. E vasculhamos esse espaço à procura de algo que lhe corresponda. Na verdade, é até um truque inteligente, porém a trapalhada acontece quando estamos com pressa. Na esperança duma certa “vitória” fácil, sondamos um conjunto muito limitado de opções  – como por exemplo: a capa vermelha do dito CD – e pura e simplesmente não reparamos em mais nada. O que acaba por ser um grande problema, porque a correspondência nunca acontecerá se deixarmos o CD virado com a capa para baixo. Todavia, a solução é fácil: vamos ali fazer um café. E enquanto estamos entretidos com a chávena e distraídos com a colher, a nossa mente alarga a sua pesquisa. Então, quando lá voltamos outra vez, em vez dum revelador clarão vermelho, procuramos sobretudo um objecto quadrado como a forma dum CD. A correspondência acontece tão rapidamente que ficamos absolutamente admirados porque é que não o encontrámos antes: “ – Raios me partam, estava mesmo aqui, bem à frente do meu nariz! ”. Mas será que ficamos convencidos? Nem por isso. Apesar de todas as evidências, temos quase a certeza que existem alguns objectos que têm o poder da invisibilidade. Não sabemos muito bem porquê, nem tão pouco o conseguimos explicar, mas no nosso subconsciente sentimo-lo. Aquilo estava ali mas agora já não está, e ainda no outro dia aconteceu-nos o mesmo. Tal e qual, como por vezes parecem também desaparecer os nossos cérebros. É certo que até estão dentro das nossas cabeças, mas onde?
 
Um abraço...
shakermaker

 

para ver: Dead Man Walking » Sean Penn
para ouvir: Dead Man Walking por David Bowie em Earthling (1997)
blogjob por shakermaker às 00:00

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