Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

obama is in the house, yo!

 

Nas últimas semanas tenho acompanhado com relativo interesse os debates entre os candidatos à presidência dos Estados Unidos da América. E para quê? Primeiro: creio que é um óptimo acompanhamento audiovisual (porém intermitente no que toca ao visual) enquanto estou a passar a roupa a ferro. Segundo: interesso-me por política, sobretudo pela política paupérrima, e gosto particularmente da forma como os E.U.A. se ridicularizam aos olhos de toda a gente. Terceiro: apesar do seu inegável entretenimento, não podemos descurar a importância que, infelizmente, estas eleições têm para o mundo em geral, pois vão influenciar de sobremaneira a vida de todos nós nos próximos quatro anos, pelo menos. Dum lado um republicano, do outro um democrata: como é habitual. Dum lado um demagogo, do outro um partidário: como é frequente. Dum lado um café com leite, do outro um meia-de-leite: mas dois lobistas lactentes. Dum lado um porreiraço, do outro um velhadas: a principal diferença. Ora, não duvido que o Barack Obama seja um fulano muito mais apelativo do que o é John McCain, nomeadamente por todas as principais diferenças que mencionei. Da mesma forma que acredito que Obama vai ser com certeza o próximo presidente dos Estados Unidos. Ainda nas primárias, ficou claro o que os americanos pretendem. Ou melhor, aquilo que não querem: eles não queriam sem dúvida alguma uma mulher à frente dos desígnios do país. E por isso deixaram a Hillary Clinton de fora: não só porque não estão preparados para ter uma mulher presidente na Casa Branca mas sobretudo pelo risco que seria um regresso de Bill Clinton à tal sala oval.
 
Aliás, aqui o risco seria também extensível a Hillary: e se desta vez fosse ela a envolver-se com um assessor estagiário? Mas, e o Bill? Será que voltaria para terminar o que tinha começado e, finalmente, ter relações sexuais naquela mítica sala? Não nos esqueçamos que o próprio Clinton negou que tal tivesse acontecido naquele famoso perjúrio, deixando a ideia que estavam apenas nos preliminares. Por estas e por outras, mas principalmente por ser mulher, é que o regresso de Hillary não foi visto com bons olhos pelo povo americano. É que ela ganhava com maioria, na boa, e os americanos sabiam-no. Vai daí e escolheram o candidato que, não sendo o mais ideal, será do mal, o menos. O senador Obama não é propriamente aquele protótipo de candidato favorito dos americanos. Primeiro: é quase, quase mesmo preto; segundo: é quase, quase mesmo credível; terceiro: é quase, quase mesmo experiente. Sejamos francos: se o Obama fosse um preto retinto não seria sequer equacionado para o lugar. Aliás, até duvido muito que fosse sequer senador! Porém, na verdade, o Obama é mestiço: nem é muito escuro nem é muito claro. Para ser exacto nem tão pouco é café com leite, é mais do tipo galão: digamos que o Obama é mais açucarado, ao passo que o McCain é mais o género meia-de-leite sem açúcar. Contudo, para muitos não passa dum bolo com bolor. Caso estejam a pensar que estou a ser preconceituoso e nitidamente pejorativo, têm toda a razão. Claro que sim, mas no gozo. Porém, a grande maioria dos americanos pensamos o mesmo. É simples: entre um tipo pouco experiente mas com tempo pela frente e um tipo experiente que tem pela frente pouco tempo, a escolha é óbvia! E é isso que os americanos vão fazer: votando no candidato que lhes dá mais garantias de longevidade, claro está. Sendo assim, o Barack Obama vai ser mesmo o novo presidente dos Estados Unidos da América. Convenhamos que o Obama vai animar as hostes nos primeiros tempos do seu mandato com algumas novidades e uma imagem pró-popular. 
 
Fazendo um trocadilho de mau gosto com o seu nome: diria que o Barack Obama vai ser o "Barraca Abana", tal é o abanão que vai perpetrar na Casa Branca. Porém, a longo prazo as suas medidas vão-se revelar inócuas pois ele não passa dum demagogo. Para mim, Obama não é mais do que um Paulo Portas mais escuro e com família em anexo porque de resto é igual. No entanto, para os americanos, é um mal menor pois o que importa é que o seu presidente não seja mulher nem seja preto. Mas mesmo preto, preto, preto. Doutra forma, o próprio reverendo Martin Luther King teria sido também presidente nos anos sessenta: só que tinha aquele grave problema de pele tipo café e antes que fosse tarde demais limparam-lhe o sebo. Há um aspecto que me preocupa em Obama para além da sua falta de experiência e discurso demagogo: é a probabilidade de ser um fulano racista e deveras elitista pois, pelo que se vê no seu programa de governo, quem vão ser os mais prejudicados são os estrangeiros. E junte-se ainda a estes a verdadeira classe trabalhadora do país: os Red Necks, os Billy Bobs, os hispânicos e por fim os pretos. Curiosamente, são todos eles que vão dar a vitória a Obama. Porque me preocupo com tudo isto? Infelizmente, tudo o que se passa nos Estados Unidos mexe com a nossa vida da pior maneira, independentemente em que políticas votemos ou que governo escolhemos no nosso próprio país. É quase certo que o próximo presidente dos E.U.A. será Barack Obama pois acrescentou mais umas fantochadas ao discurso do sonho americano: – “Somos uma grande nação, uma inspiração para o mundo e não sei quê”. Sim, nós podemos: era o slogan. E tinha razão: Obama is in the house, yo! Agora, no país mais racista do mundo, os que não são brancos mas apenas um pouco mais escuros, chegam finalmente à Casa Branca. A propósito, será que vão mudar a cor da casa ou porventura equacionam mudar-lhe o nome?!
 
Um abraço...
shakermaker

 

para ver: American Graffiti » R.Dreyfuss
para ouvir: The Fool On The Hill por The Beatles em Magical Mystery Tour
blogjob por shakermaker às 00:00

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