Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

o cientista ingénuo

 

Todos somos, de alguma forma, uns cientistas ingénuos. Até mesmo os piores líderes militares, tiranos e ditadores o são, embora tendam mais para o lado ingénuo do que para o cientifico. Um cientista ingénuo observa duas coisas ocorrerem ao mesmo tempo e assume que uma causa a outra. A zona do cérebro responsável por esta inteligência, ou em muitos casos da falta desta, é o lobo frontal. Temos de esperar que no futuro, daqui a anos-luz, alterações evolucionárias favoreçam esta zona do nosso corpo, particularmente nos tais líderes despóticos e prepotentes, de forma a poupá-los a algumas das suas ideias mais absurdas e horrendas. Até lá, e sempre que o mensageiro traga más notícias, de seguida é abatido. Ninguém gosta de chicos-espertos e de bocas-rotas, por isso todos os alcaiotes mensageiros e profetas da desgraça, principalmente alheia, acabam sempre mortos. Todos nós fazemos um pouco desta ciência ingénua, por mais que tentemos não fazê-la, só que não lhe resistimos. (1) Não conseguimos encontrar aquele amigo com quem queremos falar, enquanto ao mesmo tempo a nossa mulher não nos atende o telefone: associamos os dois eventos e já estamos a desconfiar que os dois estão juntos no regabofe. (2) Não conseguimos encontrar as chaves do carro e o nosso filho de dezoito anos não está em casa: depreendemos que o sacana do puto foi dar uma volta com aqueles patifes dos amigos. (3) Não conseguimos encontrar aquele bolo tão delicioso que comprámos no dia anterior e não sabemos onde está a pequena Maria de quatro anos: provavelmente um comeu o outro. Mesmo nos lares ditos mais equilibrados há espaço para um momento de dúvida. Bem vistas as coisas, a vida só pode ser compreendida olhando com desconfiança para trás mas também só pode ser vivida apalpando tudo o que se nos depara pela frente. E com tendência a piorar, claro está. E se pensa que apesar de todos os disparates que fazemos no presente, pelo menos o nosso passado até está a salvo, então está muito enganado. Nem sequer no córtex dos nossos cérebros, muito ou pouco ingénuos, as nossas deploráveis ou memoráveis memórias estão a salvo. Na verdade, não é preciso ser muito esperto para somar um mais um, mas é fundamental ser suficientemente inteligente para decidir se essa conta deve ser de somar ou antes de dividir (!)
 
Um abraço...
shakermaker
 
para ver: Righteous Kill » deNiro/Pacino
para ouvir: Brain Damage por Pink Floyd em Dark Side Of The Moon (1973)
blogjob por shakermaker às 00:00

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