Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

quanto tempo o tempo tem?

 

Quando estamos diante da porta duma casa de banho ocupada, tal como quando estamos à espera dum elevador impedido, não nos resta mais nada senão amaldiçoar a pessoa que está do outro lado. E o raio que parta o nosso destino que manteve a casa de banho e o elevador vazios escassos segundos antes de precisarmos deles. Mas, porque temos uma necessidade urgente de os utilizarmos, esses nossos segundos parcimoniosos serão um bocadinho mais rápidos do que os meros segundos de toda a gente. E daí esta frustração. Ora, o tempo passa mesmo mais depressa na nossa cabeça quando estamos demasiados concentrados. Quando, finalmente, o dia chegar ao fim, lembrar-nos-emos desse avançar galopante do tempo. O nosso relógio neurótico pode acelerar ainda mais em casos de emergência. Relatos de pessoas envolvidas em acidentes dão conta que se aperceberam do que se estava a passar com elas mas em câmara lenta. Na verdade estavam a pensar muito depressa. O acidente pode ter acontecido num ápice mas a lembrança é por demais vagarosa. Nos casos raros em que o nosso relógio neurónico é perturbado por uma doença ou por um acidente, o tempo assume uma forma estranha. Se os impulsos diminuem devido aos estragos no sistema neurológico, tendemos a achar que o mundo está a passar por nós a uma velocidade estonteante. Mas com o avançar da idade, achamos que os anos passam num instante e que os momentos que vivemos em jovens varrem-se a uma velocidade assustadora. E já para não falar da nossa lentidão de movimentos e pensamentos pois o nosso relógio interno vai diminuindo de velocidade. Daí os idosos serem mais demorados a fazer seja o que for. Isto porque, na sua juventude os dias são curtos e os anos longos, enquanto que na velhice os anos são curtos e os dias longos. Voltando ao inicio, a nossa noção de tempo é sempre relativa pois o tempo que um simples minuto demora depende do lado da porta em que se está. Ou seja, sempre que estamos com pressa para fazer alguma coisa, desesperamos enquanto esperamos. Quando por fim já estamos a fazer o que queríamos, desesperamos por termos esperado tanto tempo pelo tempo demorado no que estamos agora a fazer. Quase toda a gente já desejou parar o tempo, nem que fosse apenas por um segundo, pois a possibilidade de mudar o destino seduz-nos avidamente. Principalmente se não for o nosso mas o destino dos outros. No seu caso, e se pudesse voltar atrás, nem sequer teria começado a ler este post que lhe tomou o seu precioso tempo.  eu, se o tempo estivesse do meu lado, e se possível sem sequer me esforçar muito, acelerava os orgasmos dela mas demorava muito mais o meu. Afinal, no amor, dizem que o tempo cura tudo. Portanto, no sexo também, não é assim?
 
Um abraço...
shakermaker

 

para ver: A Clockwork Orange » S Kubrick
para ouvir: Time Is On My Side por The Rolling Stones (1964)
blogjob por shakermaker às 00:00

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