Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007

lei de talião vs lei do dobro

 

O que há de mais espantoso com esta lei é o facto desta ter sempre falhado rotundamente desde que foi inventada. Partindo, inicialmente, de uma boa intenção de pôr algum juízo na agressividade humana, instituindo uma estrita igualdade entre a ofensa praticada e o castigo correspondente, esta lei apenas conseguiu substituir a vingança cega por outra não menos vesga. Ou seja, na verdade, a Lei de Talião era mais ponderada e ao mesmo tempo mais calculista. A razão colocou-se ao serviço da violência mas nem por isso a vingança se tornou menos violenta. Digamos que é um pouco como o capitalismo contado às criancinhas sob a designação afável de liberalismo, como sendo a coisa mais bonita ao cimo da terra. Porém nunca funciona como nos disseram quando éramos petizes pois a livre concorrência nunca leva ao triunfo do melhor, mas sim da artimanha, dos arranjinhos ilícitos e, brevemente, do monopólio. Ora, da mesma maneira, a Lei de Talião, que se desejava a mais aritmética do mundo, revela-se, afinal, a mais dialéctica. Pretendia-se cessar conflitos num plano de estrita igualdade com o lema: olho por olho e dente por dente. Porém, isto originava uma espiral de violência sem precedentes pois podia-se prolongar em: mão por mão, pé por pé, ferida por ferida, queimadura por queimadura, chaga por chaga e assim por diante. Só que essa justiça que se queria imparcial e imaculada, na verdade, nunca o foi de todo. Dois olhos inchados não são melhores que dois dentes partidos e uma queimadura punitiva sangra menos que uma ferida infligida. Não é justo!

 

Portanto, tem que haver um equilíbrio entre os castigos, por isso proponho a Lei do Dobro. Por exemplo: um homem que pratique o adultério, uma vez que seja, deve ser obrigado a assistir à retaliação da sua esposa ou companheira. Isto de duas formas: ou com dois homens ao mesmo tempo ou com outros tantos em duas ocasiões distintas. No entanto, se ficar provado que esse homem traiu a mulher continuamente e durante anos a fio, então a mulher tem direito a ter um amante permanente, e à sua escolha, ou pode ainda optar por um gang-bang com os melhores amigos do seu cônjuge, só para o humilhar. Então, depois da Lei do Dobro ser aplicada, e se for a sua vontade, pode divorciar-se do marido traidor. Caso não o queira fazer, pode continuar casada, mas tem que repartir a humilhação pública com o seu esposo enquanto este envergar, num período nunca inferior a um ano, um imponente par de chifres de carneiro. Convenhamos que a Lei do Dobro não pretende ser a lei do mais forte e muito menos uma versão melhorada da Lei de Talião. Trata-se, isso sim, duma lei que pretende punir de forma desigual. E que melhor maneira para o fazer que não seja aplicar o dobro do mal que nos fizeram? Pois é, ninguém disse que o mundo era um lugar perfeito e que somos todos iguais... Corrijo, alguém disse, mas estava com certeza a brincar. E sendo assim, esse engraçadinho merece o dobro do castigo. Agarrem-no, já!

 

Um abraço...

shakermaker

 

para ver: Blow » Johnny Depp /Ray Liotta
para ouvir: Your Own Worst Enemy por Bruce Springsteen em Magic
blogjob por shakermaker às 00:00

ISOLAR POST | DESANCAR POST | RECOLHER POST
7 LINCHAMENTOS:
De noivo a 15 de Outubro de 2007 às 17:07
Poderia ser um castigo perverso caso o marido gostasse de ver;)
De http://shakermaker.blogs.sapo.pt a 17 de Outubro de 2007 às 22:10
Ora viva!

Caro amigo, era precisamente aí que eu queria chegar... Eu perverso, me confesso.

Obrigado e volte sempre!

Um abraço...
shakermaker
De KI a 15 de Outubro de 2007 às 20:32
Quer dizer q qd vc se ausentar uma semana tem de escrever posts todos os dias durante duas semanas certo?

Kiss :)
De http://shakermaker.blogs.sapo.pt a 17 de Outubro de 2007 às 22:12
Ora viva!

Sabe, não gosto de prometer aquilo que nem eu sei se consigo cumprir. Um logo se vê, serve? Ainda bem...

Obrigado e volte sempre!

Um abraço...
shakermaker
De cigana a 16 de Outubro de 2007 às 00:06
Por um lado, temos que convir que era uma orgia para as mulheres! E um desatino para os homens, que grande manada de carneiros!
Mas foi por ingenuidade ou delicadeza que não abordou o outro ângulo da questão? As esposas são sempre fiéis e não enganam os maridos? E nesse caso, além de os maridos poderem prevaricar à vontade (ainda mais?!), o referido adorno também se aplica a elas?
De http://shakermaker.blogs.sapo.pt a 17 de Outubro de 2007 às 22:16
Ora viva!

Deve ter sido por ingenuidade, claro. Não vejo com bons olhos o referido adorno ser aplicado às mulheres... Até porque as mulheres são muito vaidosas e com certeza o tema de conversa seria sobre quem os tem maiores. Enfeites, entenda-se.

Obrigado e volte sempre!

Um abraço...
shakermaker
De http://shakermaker.blogs.sapo.pt a 17 de Outubro de 2007 às 22:23
Ora viva!

Este post é tão estúpido que nem vou perder tempo a comentá-lo.

Quero antes pedir as devidas desculpas a quem me visita ou quem me lê pela falta de regularidade na publcação de disparates novos, mas acima de tudo pela minha prolongada ausência dos vossos blogues.

Além da minha habitual falta de tempo (sim, eu trabalho quem nem um louco), também ando um pouco preguiçoso para iniciar mais uma temporada na blogosfera. A sério, isto cansa.

Não pensem que sou um sacana que se está a borrifar para tudo e todos - até porque todos sabem que é verdade - mas logo, logo vou tentar entrar na rotina e na senda do disparate. Prometo!

(até eu estava quase, mas quase a acreditar nisto)

Obrigado a todos!

Um abraço...
shakermaker

desancar shakermaker

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