Domingo, 8 de Abril de 2007

carta de amor

 

Escrevo com a mão trémula nestas linhas ainda despidas e mal consigo firmar a caneta de quão nervoso sinto que estou.

Suporta-me o erro enquanto componho e corrige estas palavras, mas rectifica-me cada engano se não forem adequadas. Não me estendas o parágrafo e dá-me um fio condutor, mas toca-lhe ao coração numa missiva de amor. Diz-lhe que tudo faço só para tê-la outra vez e dá-lhe um tempo para pensar sempre que notes que não o fez. Ajuda-me na ortografia, emenda-me todas as gralhas, e escolhe a tua melhor caligrafia para disfarçar as minhas falhas. Carrega no sentimento e desperta-lhe atenção mas quando a sentires atenta investe tudo no coração. Não me exponhas os defeitos e realça-me as qualidades mas oculta-me as mentiras com lamúrias e saudades. Vai ao seu encontro e fala-lhe ao ouvido, volta depois para mim e traz-me notícias dela.

Redijo tudo à flor da pele com palavras ainda em bruto mas imploro que me ajudes, que me tornes em quem não sou.

Intercede em meu indulto e rege-me outra oportunidade, na qual pretendo redimir-me mesmo não sendo verdade. Não me esboces um rascunho mas lamenta a minha dor e atingia-a no coração num manuscrito de amor. Quero queixume e um tom, uma forma exacerbada, quero conteúdo e um mote por cada palavra exagerada. E sempre que a hipérbole não me assista, dá-me pose delicada, e elogia-me com louvor para que fique deslumbrada. Diz-lhe o quanto penso no seu corpo e como sinto falta do seu cheiro, convence-a que ainda sinto amor e que sonho tê-la por inteiro. Diz-lhe o quanto a desejo, como a quero foder, e intercede a meu favor enquanto ela não ceder. Vai em busca do seu perdão mas retorna para mim e conta-me tudo o que sentiu ela.

Entrego-me nas tuas folhas sem medo nem receio, confiando nas tuas rimas pesarosas e nessas lágrimas que não chorei.

Escolhe uma grafia singela e as palavras mais sonantes, fá-la esquecer o passado e todas as minhas amantes. Não me resumas em contenda nem lhe atentes ao pudor e aperta-lhe o coração nesta carta de amor. Jura-lhe votos que não posso cumprir e faz-lhe promessas sabendo que estou a mentir. Evita os pormenores e encobre-os com sentimentos para que não se lembre do quanto sofreu e recorde apenas os bons momentos. Encosto os lábios no teu papel para que ela sinta o meu gosto e dou beijos sobre o seu nome para que esqueça o meu desgosto. Diz-lhe que sou sincero e que nunca me senti assim, fecha tudo num envelope mas antes assina por mim. Vai em seu cortejo e conforta-lhe o rancor, vem de novo para mim e regressa com todo o seu amor.

 

Um abraço...

shakermaker

 

para ver: BreakingTheWaves »LarsVonTrier
para ouvir: Love Letter por Nick Cave & TheBadSeeds em NoMoreShallWePart
blogjob por shakermaker às 00:00

ISOLAR POST | RECOLHER POST
De nena a 9 de Abril de 2007 às 01:29
ai..adoro cartas de amor..(quem as não tem..pedaços de dôr..sentidas de alguém..)..
(esta é pra ti my love)

"Minha mesinha de sala de jantar"
que me és tão familiar.
Linha inter-dentária que me pertence
gosto requintado, tiques, trejeitose andar
gargalhadas, afins e pertences
linha de pensamentos, conclusôes, e..
cliché!
touché!..
Eis minha esponja de banho
orlada de fios prateados
parte adjacente de água corrente
mineral precioso escondido no bolso
verdadeiros favos de mel
lambidos ás escuras
em quartos de hotel
em quartos de lua.
Corta em quatro os quartos de tangerina
minhas e tuas.
Eis-me estirada ao comprido
no âmbar fresco
da mesinha de sala de jantar,
escorrendo em açucar
sorrindo cerejas
saboreando devagar, tão devagar.
Água e limão..dejá-vu..
espremido em malicia
charme ou delicia
assim,..
tal como tu.

smak!
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