Quarta-feira, 25 de Julho de 2007

os putos #01

 

Fazíamos da casa de banho, na casa da tia Celeste, a nossa sala de espectáculos. Eu, o Belai e o Bruno, éramos os artistas de serviço. Um de nós ficava em cada lado da banheira e, após contarmos até três, abríamos as cortinas da banheira ao mesmo tempo. Eis que surgia de rompante o Belai a cantar para um objecto – então estranho – a fingir de microfone. Fazia-mos aquele número vezes sem conta, e como só o Belai tinha jeito para cantar: eu e o Bruno batíamos palmas como se fossemos o seu público. Eram sobretudo canções da moda, na altura: coisas como Marco Paulo e as suas belas cantigas da Joana e da Anita. Também Maria Armanda com o seu batráquio a encher o papo; ou Suzy Paula com o seu camelo com muito pêlo. Estávamos convencidos que éramos mesmo uns grandes artistas, tal era o nosso empenho. Tudo bem, eu sei que somente abrir as cortinas da banheira não fazia de mim, nem do Bruno, artistas por aí além, mas asseguro-vos que fazíamos aquilo com perícia. Já o Belai, era sem dúvida um showman. Um entertainer na arte de cantar para um objecto estranho que servia de microfone. Certo dia, a Tia Celeste resolveu surpreender-nos durante um dos nossos espectáculos entusiastas. Prontamente, ralhou com o Belai e ordenou-lhe que largasse imediatamente o tal objecto. Então, ficámos os três a saber que o tal objecto que o Belai usava como microfone, tratava-se afinal duma mangueira de clister. Eu sempre achei estranho aquele artefacto pendurado junto ao autoclismo, mas nunca me ocorreu qual seria o seu fim. Fiquei com pena do Belai pois a partir deste episódio do microfone, ou antes: clister, nunca mais quis saber de cantorias em casas de banho. Perdeu-se um artista!

 

Um abraço...

shakermaker

 

para ver: Grease » Travolta /Newton-John
para ouvir: Boys Keep Swinging por David Bowie em Lodger
blogjob por shakermaker às 00:00

ISOLAR POST | RECOLHER POST
De Manefta a 12 de Dezembro de 2006 às 17:32
Ora viva caríssimo, este texto fez-me lembrar da minha infância, Todo o santo ano, na altura do Natal, torturava o meu irmão, 6 anos mais novo, a ensaiar peças como a Dama das Camélias, ou mesmo a chegada do Cocas à Cidade das rãs...tentava por alguma problemática na criação, ora isto era girissimo, porque eu até fazia guiões, tudo temporizado, tudo irritantemente perfeccionista...a tristeza lol é que no fim ninguém queria ver, literalmente lol ok afinal esta história é deprimente. Uma mais girinha: À noite, antes de dormir, eu e o maninho cantávamos as canções todas dos anuncios, Oh rama oh que linda rama, frisumo grita o tampinhas, coca cola e a sua sensação de viver, sprite, nós não só cantávamos, como faziamos a sonoplastia, ora ganda par de cromos estes manos, mas o certo é que a moda pegou e já não havia festa de pijama que não levasse o nosso reportorio. E prontes foi assim. Assim parecida com essa só tive uma vez o meu sogro a pegar num tampão e a achar que era um supositório, mas eu perdoei, afinal só trazia uma cliente a almoçar comigo a casa, coisa pouca, eu corei, ela confirmou o que já desconfiava, pois, isso mesmo, a mulher e toda a familia é maluca e o meu sogro ficou com uma dúvida existencial a menos...Pronto, beijos e abraços.
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